Quando a alegria vem do lado de fora

Refletindo sobre Ego na visão do Osho.

Agradando o ego com fotos
Foto por Bruno Montine

Já teve a sensação incômoda de não estar bem e repentinamente fazer algo ou adquirir algo para se sentir satisfeito? Mesmo que não tenhamos consciência, estamos sempre em busca da aprovação externa. Na verdade, agimos de modo inconsciente, muitas vezes, para nutrirmos o ego! Pois o ego não quer se sentir mal, não deseja sair da sua zona de conforto. O ego está aí para te manter no equilíbrio, portanto, sair do centro sinaliza perigo. Então, para mantê-lo é preciso massageá-lo, para isso precisamos das pessoas, as quais irão nos notar, olhar de modo que satisfaça o nosso interior ou ao menos que eu fale de um jeito que satisfaça meu interior. Confuso? Acompanhe o desenvolvimento do tema abaixo e tudo ficará esclarecido e pode ser que você comece a notar que suas atitudes e conversas, na verdade, provêm de um ego frágil e que te domina, ao invés de você dominar ele.

Onde tudo começa?

Dentro da psicologia existem várias definições de ego, contudo, a abordagem será mediante a visão de Osho, o qual prega, resumidamente, que o ego é fruto da aprovação externa. Desde pequenos os nossos estímulos são externos. Quando bebês as nossas atitudes são aprovadas ou reprovadas pelos nossos pais ou pelas pessoas que nos cercam. Se a criança faz algo bonitinho, ela recebe um sorriso, aplausos e estrelinhas. Com isto, ela se sente acolhida, aceita. Por outro lado, a repreensão faz com que fique reprimida. Posto isto, a criança se sente parte do meio através do que vem de fora. A referência de quem somos, portanto, não vem do nossa própria percepção, mas através das reações de outras pessoas as nossas ações. A sensação de ser acolhido e notado é gostosa. Já ser repreendido  ou receber uma cara feia, é desagradável. Assim, o que se busca de modo consciente ou inconsciente, seja nas atitudes ou palavras, é se sentir aceito, compreendido. Estar em evidência ou fugir totalmente do centro são duas faces da mesma moeda. Nem sempre se alcança a atenção, mas a intenção é que fazer com o que o próximo te note.

Quando agimos por ego para recebermos estrelinhas.

Não tem importância você seguir o que você deseja para alimentar seu ego. Por exemplo, na nossa sociedade um médico, um policial, um ator global tem uma aprovação externa no qual é natural desejar ser reconhecido pelos outros através do seu trabalho. Só que pode chegar um momento que a sua essência quer falar mais alto. O reconhecimento externo não é o suficiente para te satisfazer. Pessoas inconscientes podem ficar uma vida toda dominadas pelo ego. Por exemplo: alguém que deseja ser notado por meio de seus bens materiais (roupas, carro, tênis, celular do ano) a fim de ostentar e chamar atenção. Ela pode não notar que essa máscara  não vem da essência dela, por conta disso torna-se um consumista compulsivo uma vida inteira para ser aceita através do que ela tem, e não do que ela é.

Sentir-se mais, ou se sentir menos porque você tem um cargo X, muito dinheiro ou pouco dinheiro é o seu ego quem fala por ti, não você mesmo. Porque a aprovação vem de fora, a aceitação vem de fora, e quando as pessoas passam a mão na sua cabeça você gosta! E a criança, que há anos atrás só se sentiu aceita quando colocavam estrelinhas em suas mãos, por ter feito algo bom, ainda vive dentro de ti.

Eu! Eu! Eu! Eu!

A necessidade de falar muito de sí, evitar opiniões, ser muito introspectivo também são características defensivas do ego. Note que existem pessoas que não sabem conversar sem ficar falando delas mesmas, ou ficar expondo apenas o lado delas. Não há uma troca de informações, ideias. Há apenas exposição delas mesmas. Para ela se desdobrar e deixar de falar dela para começar a ouvir o outro pode ser dolorido, pois o centro deixa de ser ela e passa a ser o outro. Também é um tema a ser abordado, pois outros níveis de consciência são escutar, dar atenção não apenas para quem te interessa, mas para todos. Se fazer presente na vida dos outros é um caminho de luz.

Essência X Ego

As flores de plástico são lindas! Enfeitam sim e duram enquanto não forem danificadas. Não é preciso regar! Basta comprar e deixar ali. Não tem o que cultivar, tratar, cuidar. Pode ser que algumas pessoas até as confundam com flores reais num primeiro momento, mas quando chegam perto para sentir sua textura, ou  fragrância, notam que é uma flor artificial! Diferente de uma flor natural que pode não durar a vida toda, mas enquanto dura, exala seu cheiro. Quando tocadas, as pessoas se encantam pelo o que ela é.

Qual é a diferença? A manifestação da natureza em si possui uma beleza autêntica. Assim como o beija-flor que procura por flores para se alimentar, um genuíno ser humano não vai vir de um falso ego alimentado pela questão social. Você transborda quem você é pela sua essência. As pessoas se apaixonam pela essência, não pelo o que você tem. O falso ego diz que tudo está sempre tudo bem, que é inabalável ou impenetrável, mas a verdade é que uma planta de verdade quando tem uma parte sua danificada não pode ser reparada ou remendada. Aquilo está ali e faz parte do seu ser, ter a coragem de expor e aceitar é o começo para entender quando você fala e quando seu ego fala.

Atitudes dominadas pelo ego:

A roupa que visto fará as pessoas me notar; me aceitar; me acolher; me admirarem; O meu emprego; a (o) namorada (o) que tenho; as minhas opiniões…

O modo como transpareço ser inteligente, impenetrável, inabalável, totalmente completo e sem defeitos. Isso é demasiado ego assomado a medo de aceitar que somos humanos e que é natural que os nossos sentimentos naveguem de um extremo a outro. O problema é que, novamente, dizer “me perdoe”, “eu errei”, faz com que você não seja o centro, mas sim o outro, e isto mexe muito com o ego. A mesma questão é válida para opiniões. A minha opinião é a correta e é inabalável! Eu sempre estou certo! Porque quando estou errado, isto faz com que estejam acima de mim e isso me incomoda muito. Pura bobagem, são sensações provocadas pelo ego frágil no qual você evita sentir e acaba se tornando alguém que vive numa bolha de opiniões. Vive numa bolha onde não há troca, apenas exposição. Existem pessoas que se lapidaram muito e são lindas dentro dessa bolha. Inspiram outros, são pessoas de exemplo, mas não conhecem a beleza que é se expor, aceitar se modelar para que sua visão seja cada vez mais agregada.

Por que o ego faz isso?

Ele quer ser aceito. Quer atenção. Quer receber palminhas. A função dele é não te fazer sofrer ou te fazer sair da sua zona de conforto. Pois sair dói. O processo de mergulho interno e não depender dos outros para se sentir bem ou feliz não é fácil. Ou se desprender de aparentar ser uma pessoa inabalável não é fácil.

Se expor, levar um não, pedir desculpas, tudo isso causa sofrimento. Assumir um erro causa tortura. E novamente, não é apenas para pessoas com quem você se relaciona amorosamente.

‘Cause love’s such an old fashioned word
(Porque o amor é uma palavra tão fora de moda)
And love dares you to care for
(E o amor te desafia a se importar com )
The people on the edge of the night’
(E o amor te desafia a se importar com )


Queen – Under Pressure.

É como a música do Queen diz: Se importar com as pessoas, tentando não falar de você mesmo apenas é um desafio. Reforçando, falam muito de si mesmas. Elas falam de si mesmas porque querem ser notadas. Quando você começa a se preocupar com os que te cercam e você não quer ficar sendo o centro, você começa a não ser dominado pelo seu ego. Está ficando disposto a ouvir, e a conversar. Ter uma verdadeira dialética, não apenas ficar falando de si mesmo.

Recebendo likes para agradar o ego

As redes sociais têm suas funções, bem como é dito no nome, sociais para encurtar espaços, eternizar momentos, conhecer novas pessoas, entre várias outras funções! Mas é possível notar que existem pessoas que não compartilham por uma questão simplesmente social. Elas querem ser aceitas, querem ser notadas porque o contentamento, ou a tristeza, precisa ser vista pelos outros e precisa do reconhecimento externo, para se sentirem aceitas. Ser vítima ou ser o centro fará com que o ego dela se sinta importante.

Fotos para as redes sociais para agradar o ego
Foto por Bruno Montine

Ok… Mas o que eu faço com o meu ego?

Osho diz que só é possível transcender o ego passando por ele. É com ele que você evolui. Não o odeie, não o julgue, não o repudie. Pelo contrário, torne-se consciente de que ele existe, abrace-o! E passe a se observar quando quem fala é a sua essência ou seu ego. É um processo que pode ser muito agradável, assim como também pode ser um processo doloroso. No entanto, a vida se torna muito mais leve quando quem fala é a sua essência, e não o seu ego, haja visto que no ego é preciso evitar muitas coisas para se manter no centro e quando você descobre que o centro é você mesmo e nada mais importa, suas atitudes deixam resquícios que, de alguma maneira, brilhará nas outras pessoas naturalmente.

“Seja comum, seja simples, seja você quem for. Não há necessidade de ser importante, a única necessidade é de ser real. Ser real é existencial. Ser importante é viagem do ego”.


Osho

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